Pra quê Evian?

terça-feira, 5 de maio de 2009 às 00:06
Planejando ir para a Suíça? Rodopiar por Zürich, Lucerna ou Berna? Pelo menos com algo você não terá que se preocupar: em comprar água para saciar sua sede. Não que distribuam garrafinhas de água pelas cidades. Não mesmo! Sobretudo porque uma mera garrafinha em um restaurante up durante o lanche da tarde custa "só" 6 Francos Suíços. E nem é uma Evian da vida...


Arrume só uma garrafa vazia. Isso mesmo, porque ao longo dessas cidades o que você mais vai encontrar são bicas de água. Sempre em pequeninos tanques onde a água é jorrada a partir de torneadas e bem decoradas esculturas, a água é sempre absolutamente cristalina e muito gelada!! Ah, claro, além de muito leve! Uma benção, em locais públicos, nos mais variados lugares, para quem perambula pelas ruas desses paraísos suíços no verão. 



Não banque o brasileiro: não seja provinciano e não deixe de se valer dessa maravilha natural, e melhor, de graça!

R.I.P. in Buenos Aires!

segunda-feira, 4 de maio de 2009 às 22:51
O que Buenos Aires tem para oferecer aos seus amantes além dos restaurantes de Puerto Madero ou as belas lojas de Palermo Hollywood? Bom... são tantas coisas que talvez só São Paulo possa, na América do Sul, fazer frente à capital portenha.

Mas algo que nem São Paulo tem é o belo cemitério no nível do que se situa na região da Recoleta. É parada obrigatória ir a Buenos Aires e realizar um passeio nesse aconchegante (isso mesmo!) cantinho de Buenos Aires. Embora a cada ano que retorno a ele, o encontro mais descuidado, nem por isso deixa de ser um local amável.


Para começar, as esculturas são lindas, os mausoléus são muitas vezes suntuosos e quem está lá sob 7 palmos após seu corpo embalsamado ter sido violentamente agredido e escondido na Itália durante anos no período das ditaduras latinóides e depois repatriado à Argentina? Muito bem para quem respondeu a mulher mais poderosa que a Argentina já teve.

Não!! A Christina Kirchner (ainda) não morreu! Além de ser historicamente quase insignificante... Trata-se de Eva Perón.


Passear pelos apertados labirintos do cemitério à procura de Evita pode ser divertido. E cansativo! Não sejam desinformados: não espere em letras garrafais "Aqui jaz Eva Perón"! Também não procure por um mausoléu ultra-mega-gigantesco. Nem vá achando que será um de excelente localização central! Evita está discretamente descansando em um pequeno túmulo, negramente revestido, com algumas placas indicando que lá está a heroína argentina (ainda que polemicamente) e sempre, sempre, com flores, faixas e bilhetes deixados pelos hijos argentinos órfãos de la madre de los descamisados.


Ah! E ao procurar, fique de olho tentando localizar o túmulo da Família Duarte. Por quê? Porque a Sra. Perón teve como nome de batismo Maria Eva Duarte... Não viram o filme?!? :)

Fazendo os cálculos

domingo, 3 de maio de 2009 às 23:21
Pretende sair em viagem internacional e nem sabe por onde começar? O primeiro passo, após definir o destino, é começar a se interessar, e pesquisar, sobre a moeda corrente do(s) país(es) de destino. Quanto vale uma determinada moeda em relação ao Real? Qual o histórico Euro x Real? Como posso acompanhar todas essas coisas?



O melhor site para isso, após várias pesquisas, é o Exchange rates.org, um site que você poderá não só ver a atual cotação e conversão de todas, eu disse to-das, as moedas do mundo, como ainda é possível acessar o histórico de todas essas cotações. Essa dica é quente!

Outra que não pode ficar de fora nesse assunto é um site argentino chamado Dolar Hoy em que diariamente é atualizada a taxa de câmbio, em Buenos Aires, das principais moedas em relação ao Peso Argentino. Dólar, Euro, Libra, Real, e muitas outras são listadas, mostrando as instituiçãoes bancárias ou financeiras que realizam o câmbio, a média dos valores praticados no dia, o maior valor, e o menor valor de cotação, com seus respectivos estabelecimentos. Ah! Para descobrir o endereço de algum dos bancos cuja cotação lhe interessou, é só clicar sobre o seu nome na primeira tabela, que mostra a cotação Dólar x Pesos.

Bons cálculos e boas compras!

**Exchange rates: http://pt.exchange-rates.org/
**Dolar Hoy: http://www.dolarhoy.com.ar/

A Colônia de Portugal

sábado, 2 de maio de 2009 às 13:57
O Uruguai tem sua Ouro Preto. Trata-se da cidade à beira do La Plata, chamada Colonia del Sacramento. Desbravada inicialmente pelos portugueses quando da colonização da região, Colonia foi logo depois tomada pelos espanhóis. Estes, destruíram o palácio português que existia no local e que servia como "centro administrativo" lusitano nas bandas de lá. As portas, as peças de acabamento, bem como as janelas e móveis foram todos levadas, após a depredação, a Buenos Aires. O resto de dito palácio, descoberto por acaso quando de escavações no local onde hoje existem só as ruínas de suas fundações, encontra-se ao fundo dessa foto, no terreno em frente àquela construção branca:





Superada a dominação portuguesa, e também a espanhola, hoje em dia Colonia presta tributo aos portugueses: seja pelo Museu Português que existe em suas pacatíssimas ruas (e que lembra até Tiradentes) e cuja função é resgatar a memória de uma Colonia perdida em si mesma, seja pela cruz portuguesa presente em um monumento que o governo de Portugal deu à cidade e que se encontra fincado ao lado da Igreja matriz.





E como identificar cidades urbanizadas pelos colonizadores portugueses e pelos espanhóis? Colonia te ensinará: cidades nas Américas construídas pelos espanhóis apresentam ruas em que a água da chuva corre pelo centro das calles, diferentemente das fundadas por portugueses, em que a água escoa pelos cantos, próximo às calçadas.


Watch out!

sexta-feira, 1 de maio de 2009 às 00:29
Ir a Londres pela primeira vez é uma diversão só. Como os ingleses adoram ser diferentes em tudo é um barato andar pelas ruas da cidade. Aquilo já automático pode se tornar uma situação engraçada.



Ao atravessar a rua, você se pega a todo momento pensando: "pra que lado eu tenho que olhar mesmo?". Seu cérebro, em Londres, certamente terá coisas muuuuiito mais importantes para se ocupar do que com o lado da rua que você tem que olhar para não ser atropelado!


Já sabendo disso, os londrinos foram "gentis" e nos deram uma mãozinha: as esquinas, nas regiões mais movimentas, trazem impressas no asfalto a ajuda que precisávamos. Os dizeres "look right" e "look left" estão ali, servindo de "cola" para todos. Mesmo quando finjo já dominar a "lógica da coisa", me pego olhando discretamente tentando enganar o meu cérebro: "não, eu não olhei para o chão, é claro que eu sabia que era para a direita..." :)



Em questões de tráfego, outro interessante conceito foi a criação de faixas para pedestres que os garante a parada de todos os carros ao se atravessar a rua. Nestas faixas deve, para tanto, haver postes no meio-fio com cúpulas laranjas piscando, alertando os motoristas: "cuidado, aqui vão passar na sua frente sem cerimônia!!".

Aí vem a vovó e demora séeeeeculos para atravessar, a patricinha que acha que a faixa de pedestre é passarela, o cachorro na coleira que resolve fazer pipi em um dos postes, enquanto seu dono já está no meio da faixa. É uma diversão só!!


Agora, se forem para Londres e não encontrarem esses tais postes com luzes piscantes e laranjas, não se preocupem! Eles estão desbotados mesmo! Mas um dia eles foram laranjas, isso eu já vi!!

Crianças, ruas e balas

quinta-feira, 30 de abril de 2009 às 23:52
Para os brasileiros essa seria uma "combinação" cotidiana: crianças, ruas e balas. Em qualquer semáforo das grandes cidades é possível se deparar com esse quadro. Mas o que vim aqui dizer foge à realidade cotidiana dessa "nossa terra de meu Deus".

Ao passar em Antuérpia, cidade belga sede dos Jogos Olímpicos de 1920 (como uma homenagem ao povo da Bélgica pelos sofrimentos vividos no período da I Guerra Mundial), ao lado da grande Catedral de Nossa Senhora, me deparei com crianças não vendendo balas, mas pedindo balas!



E o que faziam para conseguir convencer e encantar a todos que ali passavam? Cantarolavam músicas (no ritmo de "Os Dedinhos" imortalizados pela... han han.. Eliana) provavelmente em falmengo, além de fazerem malabarismos e contorsionismos muito fofos!

Ah, e como qualquer pedinte, não poderia faltar o chapeuzinho colocado no chão à espera das possíveis doações!

O burgo do luxo

domingo, 26 de abril de 2009 às 13:53
Cheguei em Luxemburgo após três cansativas horas de viagem a partir de Bruxelas. Os trens belgas não são como os franceses... E chegando na capital pode-se perceber que há uma atmosfera diferente no local. Não, não me refiro aos turistas porque, como em qualquer lugar do mundo (com exceção de Vaduz!), sempre tem japonês tirando foto até do bueiro, bem como brasileiros que se acham já intímos de você pelo simples fato de serem... brasileiros! Isso é comum, e monotonamente óbvio (talvez essa seja a razão pela qual opto por lugares, digamos, talvez "um pouco" mais exóticos...).



Em Luxemburgo é tudo absolutamente limpo. Nada de papéis no chão, nada fora de lugar. Flores para todos os lados, e ruas e mais ruas de grandes grifes nas quais os nativos fazem suas compras, porque, como uma luxemburguesa, até simpática (por sinal), me disse "we are a very selective people"... Ou seja: não vá a Luxemburgo achando que você vai economizar fazendo comprinhas nas badaladas lojas de roupas, ou de qualquer outra coisa (a não ser algum souvenir "pega-turista" numa barraquinha ou lojinha) . Mas não na Hermés, da foto acima, com seu toldo impecavelmente branco.

Mas se você for, como eu, um aficcionado por antiguidades e peças de decoração. Não hesite: vá à Armand a Wagner, um pequeno antiquário em que me senti em um parque de diversões. Pequeninas taças de licor a 1 ou 2 Euros! Cristais muranos a 10 ou 25 euros! Luxemburgo também tem suas surpresas!

Como se estivesse em uma pacata cidade do interior, a lojinha, quando a descobri, estava fechada. Era hora de almoço, pois. Quando não mais que de repente chega um senhor grandão (em altura, nem tanto em largura), ruivo, com uma barba grande e com todo o jeito de ser... "sem-jeito". Mas como poderia um homem desses ser dono de um antiquário com aquelas taças tão pequenas? Na verdade acho que esse senhor, dono do estabelecimento, foi quem me mostrou uma outra face de Luxemburgo. Um Luxemburgo que tem orgulho de sua pequenês, de ser quase esquecido pelo mundo.

Quando eu disse que era do Brasil, ele retrucou "And what the hell are you doing here, in Luxembourg?". Afinal de contas, o que Luxemburgo poderia oferecer a quem vem "do Brasil"? Este era o que estava pressuposto na questão dele. Mas talvez fosse a figura dele o mais interessante que vi em Luxemburgo: um cinquentão easy going que ora conversava comigo em inglês, ora com seu amigo em luxemburguês! Ah, sim, claro, foi por causa dele que pude escutar luxemburguês, uma "mistura" de alemão e francês. Ou seja, não dá para entender nada!!!

Fim da compra, e o senhor, brincalhão, fingindo seriedade, diz: "oh, ficou muito barata essa compra! Não posso te vender tudo isso por tão pouco!". E eu, com um sorriso, lhe agredeci, saindo da loja feliz pelas compras e por sua simpatia escondida por detrás do seu jeitão (ele parecia um Viking!). Era hora de ir para a estação, mas nada atrapalharia a já saudade da perdida Luxemburgo, nem mesmo as três horas de trem...


**Loja de antiguidades: Armand a Wagner - Antiquaire - 6, Avenue de la Porte-Neuve, Luxembourg

O charme de Den Haag

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 às 16:47
Para muitos brasileiros a cidade holandesa de Den Haag passaria despercebida e até como desconhecida, sobretudo porque em português é chamada de Haia, sede de várias instituições internacionais vinculadas à ONU, como a Corte Internacional de Justiça (foto abaixo).


A poucos quilômetros de Amsterdan, a co-capital da Holanda merece muita atenção, por suas ruas arborizadas, limpas, com pessoas educadas e recatadas. Muuiiito diferente de Amsterdan...

Um dos atrativos de Den Haag é o Parlamento holandês, que se situa em um local bem central e privilegiado da cidade. Em todo verão é geralmente realizada uma instalação em frente ao Parlamento, sendo que em 2008 havia um gigante icebberg flutuando pelas águas que banham o prédio (um lembrete sobre o aquecimento global!?).


A cidade também merece atenção por ser sede da moradia oficial de Sua Alteza Real, Rainha Beatrix. Embora em Amsterdan haja alguns castelos, é na deliciosa Den Haag que Vossa Majestade reside.

Imperdível também em Den Haag, e no verão, é sentar-se nas mesas externas dos vários bares e restaurantes que existem em suas praças, pedir um bom vinho rosé e, quem sabe, se surpreender com uma decoração interna translumbrante quando se resolve ir ao toilet.

Com suas tentadoras ruas de comércio, imperdíveis são as Denneweg e Noordeinde, onde lojas de antiguidades e de apetrechos para casa promovem um desespero aos apaixonados por objetos de decoração.

Uma coisa é certa: Den Haag tem aquilo que Amsterdan definitivamente não tem, isto é, uma atmosfera suave, charmosa e clean. Não se iluda pela Amsterdan de fotos e novelas: vá a Den Haag e conheça o que de melhor a Holanda pode oferecer.

O que é que Bruxelas tem?

sábado, 3 de janeiro de 2009 às 21:43
Ai, Bruxelas... Tenho que ser bastante honesto com todos vocês e dizer a verdade. Quando fui à Bruxelas, tinha acabado de sair de Londres e prestes a ir para Amsterdan pela primeira vez. Isso fez com que a luz de Bruxelas não fosse tão iluminadora naquele momento.

Primeiramente, sair de Londres e chegar a uma cidade mais pacata, quase provinciana, ainda mais na expectativa de ir para Amsterdan fez com que Bruxelas parecesse um... saco! Mas o encanto de Bruxelas só fui bem compreender depois de ter saído de lá...



Suas ruas surrealistas, um labirinto em que mapas são simplesmente inúteis, cheias de inúmeras rainbow flags penduradas, e com incontáveis, e divinas, lojas de chocolates fazem da capital belga um local único. Primeiramente porque comprar em Bruxelas é tudo de bom!

As coisas não são tão caras como nos vizinhos Luxemburgo, França e Holanda. Segundo porque os sabores de Bruxelas, também são incomparáveis: desculpem-me os suíços, mas chocolate é o belga...


Como se não bastasse isso, o que dizer de uma cidade que tem uma arquitetura translumbrante e que guarda tão bem suas tradições? Que tem ostras e frutos do mar quase vivos sendo vendidos em suas apertadas ruelas entre restaurantes cuja decoração art noveau é obrigatória e onde pechinchar faz parte do cardápio? Ah!! E que também tem uma praça central em que o cair da noite é simplesmente um espetáulo à parte, onde todos se reúnem para beber, paquerar, passear ou se distrair (ou só para dar um pulinho na loja da Godiva, logo ali na praça, para adoçar - ainda mais!! - a vida)?

Um clássico argentino

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 às 18:19
Não, não!! Não estou me referindo a qualquer dos espetáculos futebolísticos que ocorrem de tempos em tempos em La Bombonera, na região do La Boca, em BsAs... Mas sim a uma das coisas que todos têm que experimentar, se deleitar, se lambuzar, quando se passa algum tempo na capital Argentina.

Há várias coisas que se tem para provar: do maravilhoso doce de leite, aos clássicos alfajores da Havana (mas tem que ser Havanna, por favor!), passando pelos Bocaditos Marroc (uma maravilha da indústria argentina, uma espécie mais engordativa ainda de dadinho coberto por nougat de chocolate...), BsAs não é, em definitivo, uma cidade para quem pensa em emagrecer. Não ao menos sem sofrimento ou quilos de culpa...

Dentre as maravilhas doces da cidade, não hesite ao se deparar com qualquer quiosque da Freddo. Você estará diante de um dos melhores sorvetes que poderia tomar em toda sua existência. Sim, porque os argentinos também se orgulham dos seus sorvetes! E o Freddo é argentino até nas cores. É só conferir o copo descartável em que são servidas as maravilhas gélidas.

Gosta de chocolate? Há umas 6 variedades diferentes. E de doce de leite? Há um outro tanto. Frutas vermelhas? Tem de amora, framboesa, morango, e várias berries que nem me lembro.



Peça logo o 1/4, isto é, o pote com 1/4 de quilo, ou seja, uma porção de 250 gramas que vão derreter na sua boca e te fazer alcançar as nuvens. Nessa opção é possível escolher até três sabores: vão por mim e escolham um de cada um dos três grupos que mencionei acima...
Para quem gosta de castanhas, caldas, e outros fru-frus é possível pagar um valor extra e adicionar toppings. Eu particularmente não sou fã...

O melhor é que quem está de passagem pelo Uruguai também poderá ter a felicidade de experimentar dita provocação. Ao menos em Punta del Este, na rua Gorlero há uma tienda da Freddo.

O pior??? Não há nenhuma previsão das lojas virem para as bandas de cá...

Feliz Casapueblo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 às 22:34
Ir a Punta del Este e não dar um pulo até Punta Ballena significa que você não conheceu o melhor do local. Punta del Este tem o seu glamour: é local de badalação, de celebridades, de possantes nas ruas, de brancas casas cinematográficas contrastando com o primaveril céu azul de outubro. Porém, se você procura por tudo isso, com a exceção do Cassino, vá a Búzios que você será mais feliz...

Mas o que tem de melhor em Punta del Este está fora de lá. Pegando um ônibus na Rodoviária de Punta, no sentido da capital uruguaia, você passará pela importante cidade de Maldonado, quando, logo após alguns minutos da partida você estará no local à beira da estrada que dá entrada para Punta Ballena. Daí, só mais alguns "minutinhos" caminhando contra o vento e sob um sol traiçoeiro, porque parece não ser forte e não afetar nossa pele, você verá, do seu lado esquerdo a mais bela vista que se pode ter de Punta del Este: o La Plata banhando aquela pequena faixa de areia sob luz intensa! Mas olhar para o lado direito é melhor ainda!! Verá uma vista translumbrante, de um "mar" azul radiante, quando, finalmente, você começa a perceber que a loucura de estar caminhando tanto começa a valer a pena.

E começa porque mais adiante é possível avistar o destino de quase todos que àquele local se procedem: uma construção branca, reluzente, e impressionantemente contrastante com os tons de azul, do céu e do mar.


Trata-se da Casapueblo: um mix de museu, hotel e restaurante, sendo este aberto mesmo a quem não se hospeda no local. Ao chegar no local, é inevitável pensar que já se conhece aquela exótica construção. Encrustrada em um estreito pedaço rochoso entre o mar e um desfiladeiro, Casapueblo nos parece comum por ser uma "encarnação grega de Gaudí"... Isso mesmo! A intimidade que se parece já ter com o local é perfeitamente explicável por nos lembrar as formas inconfundíveis de Gaudí, aliadas a alvas construções caiadas à beiramar, tão tipicamente gregas.

Com nove irregulares andares, que começam no zero e vão descendo até o -9, já que a construção é feita "morro abaixo", Casapueblo tem um certo ar antipático por parte dos seus funcionários: um valor de 50 pesos uruguayos é cobrado como "entrada" para o restaurante, mas que poderá ser abatido do valor final da conta, caso disso você se lembre ao final. E a antipatia à qual me referi diz respeito não ao valor cobrado, mas à falta de percepção dos que ali trabalham que Punta Ballena não é Buenos Aires, não é Paris, não é Londres, nem Sydney, nem São Paulo... É um lugar perdido no mundo, embora divino!


Ir ao restaurante, sentir a brisa do La Plata, transferir-se, por um lapso temporal que seja, para um pedacinho da Europa tomando um belo e gelado Gewurtztraminer, sentado em cadeiras e mesas branquinhas, é o momento mais prazeroso que se pode ter pelas bandas de lá. Além do mais se pudermos observar o sol se pôr, o que é sempre um espetáculo à parte no Uruguai - afinal, lembre-se do que há radiante da bandeira do país!

I just happen to be here, and it´s ok...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008 às 23:44
"I'm wandering round and round, nowhere to go
I'm lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I'm wandering round and round, nowhere to go
...
Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say"
C.Veloso

Quer dar uma voltinha?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 às 20:19
Mônaco, para os apreciadores da Fórmula 1, é capaz de proporcionar uma sensação indescritível: ao se deparar com a parte baixa de Monte Carlo, ainda a observando do alto do principado, é possível perceber, perfeitamente, o traçado do mais charmoso circuito de Grand Prix.

Não é difícil fechar os olhos e imaginar o que há de ponta em tecnologia de automóveis roncando seus motores por entre as ruas do circuito e o porto com inúmeros iates e barcos chiquérrimos. E não mesmo!!

Afinal, em Mônaco, não somente durante a temporada da Fórmula 1 é possível deparar-se com os tão desejados objetos de consumo de muitos. Aliás, o que mais há em Mônaco são objetos de desejo. A começar pelos próprios carros.

Ferrari, Chrysler, Volvo e Maserati são figurinhas fáceis, seja em frente ao Cassino, ou onde quer que se esteja.

Mas esse sonho pode não ser tão distante para todos. Ao menos o gostinho de dirigir uma Ferrari se pode ter. Desembolsando "míseros" 80 Euros, é possível dirigir uma como as da foto acima por todo o circuito de Mônaco. Ah, claro, devidamente acompanhado pelo instrutor e somente para uma volta. O que são 80 Euros perto do precinho das feras vermelhas? Uma bagatela!

Para os medrosos, há ainda duas possibilidades. A primeira é pagar somente 45 Euros para ir como passageiro pelo circuito. A segunda é só ficar olhando e babando.

É... faltou coragem!

Ah... Vaduz!

terça-feira, 30 de setembro de 2008 às 22:04
Chega de grandes centros urbanos, da correria dos metrôs, de congestionamentos no tráfego... Nada como uma capital européia capaz de guardar tão bem suas tradições medievais ao mesmo tempo em que capaz de acompanhar, muito de perto, a vanguarda da arquitetura, da pintura e da escultura.


O castelo real em Vaduz, capital do principado de Liechtenstein, pode até não ser tão bonito. Mas tem uma localização super privilegiada: no topo da montanha que parece guardar a paz no pequenino país. Cravado no meio de uma pequena, e densa, floresta, o castelo na capital de Liechtenstein é um dos mais antigos de toda a Europa.

Para os súditos e nós, turistas, Vaduz tem contrastes inesquecíveis! Videiras e mais videiras dão um charme especial à cidade. Carregadas de uvas Pinot Noir, ainda verdes, podem ser observadas dos pequenos e transponíveis muros de pedra que separam as estreitas ruas dessas plantações.



Ao mesmo tempo em que no "centro" de Vaduz nos deparamos com o arrojadíssimo Kunstmuseum, o Museu de Arte, cujo projeto é um espetáculo à parte: um bloco de granito preto encravado no meio da cidade, dá a tônica desse local que é tradição e inovação a um só tempo.




Chegar a Vaduz é super fácil quando se está em Zürich. Deve-se tomar o trem até a cidade suíça de Sargans, onde terá, próximo da estação e de um pequeno posto de conveniência, o ônibus que faz a ligação Sargans-Vaduz. Uns 30 minutos, no máximo, acredito, separa Sargans, na Suíça, de Vaduz, em Liechtenstein.

E por falar em vinho, não só tive a oportunidade de degustar o Pinot Noir produzido ali mesmo, no "quintal" da Adega, como pude comprar e trazer 2 garrafas que estão trancadas a 7 chaves e somente serão abertas Deus sabe quando e em qual ocasião... O preço dos vinhos não era nada de exorbitante: pela raridade e excentricidade de se comprar vinhos do principado, 17CHF por garrafa não é nada, nada... Ah, claro, Liechtenstein não aderiu à zona do Euro, sendo o Franco Suíço a moeda local oficial.

Agora, ir em Liechtenstein e não carimbar o passaporte no centro de informações turísticas é um pecado! Pagando 3CHF, ou 2 Euros, você poderá trazer uma lembrança que pouquíssimas pessoas têm!

Fora a simpatia de todos os nativos do local e as casinhas cheias de flores, há uma energia diferente em Vaduz... Parece que ao chegar lá entrei em um conto de fadas, não daqueles que escutávamos quando crianças, mas um legítimo conto de fadas do nosso século. Uma aura especial guarda esse lugar cujo hino nacional tem a mesma melodia do britânico God Save the Queen. Bom sinal!

A vez de Paris

segunda-feira, 29 de setembro de 2008 às 13:12
Talvez eu tenha sido muito enfático no meu último post sobre as maravilhas de Londres e as decepções em Paris. Mas isso não significa que Paris não seja encantadora. Não mesmo... E para provar isso, aqui vão duas fotos em que podemos ver o que Paris tem de melhor para nos apresentar: a própria Paris!





Na foto acima, podemos ver, ao fundo, Montmartre e a estonteante Sacré-Coeur. Na foto abaixo o Arco do Triunfo cravado no coração de Paris e na memória de todos os que já tiveram a oportuindade de ver, ao vivo e em cores, essas imagens do alto, e último andar, da Torre Eiffel. Dica: suba a Torre Eiffel quando o sol estiver se pondo. A luz projetada nos edifícios é um espetáculo à parte.





Agora, seria uma covardia enorme querer comparar a vista do alto proporcionada pela Torre Eiffel com a paisagem que do topo da St. Paul's Cathedral (foto abaixo) se pode captar, em Londres...



Aqui, devemos nos render aos encantos da cidade luz, e absorver cada segundo de sua vista em mais profundo silêncio, em sinal de absoluto êxtase e falta de meios capazes de verbalizar o que os olhos vêem mas o cérebro é inábil para exprimir.

Hoje, perfeitamente percebo o sentido da frase de Santos Dumont pela qual sempre estive enamorado. Se "a vida é mais bela quando vista do alto" certamente o é, sobretudo, quando, como recompensa por seu feito, Dumont pôde apreciar uma Paris que, na época, poucos tiveram a oportunidade de desfrutar.

The five stars of Eurostar go to...

domingo, 28 de setembro de 2008 às 21:42
Com toda a confusão que o mau funcionamento do Eurostar provocou nos últimos dias deste mês, em razão de um incêndio na malha ferroviária mais próxima da fronteira francesa, me senti quase que na obrigação de defender os ingleses.





Não que os franceses tivessem alguma culpa no episódio, ou não que não tivessem, ou que os ingleses tivessem... Whatever! A questão é a diferença de se fazer uma viagem no Eurostar partindo de Paris e outra partindo da Estação de St. Pancras International no coração de Londres (foto).

Primeiramente, em Paris, na Gare du Nord, para se chegar ao guichê de embarque é algo tão mal feito que até parece coisa de nossos ancestrais portugueses... Ao chegar na estação você se depara com a plataforma de seu embarque; mas para sua surpresa, você tem que dar a maior volta do universo, subir para outro andar, passar pelas migrações francesa (aqui responsável por todo o Espaço Schengen) e britânica para depois... descer -- agora pelo lado de dentro, rumo à sua plataforma para então, muito desorganizadamente, procurar seu vagão e, finalmente, seu assento. Não seria mais fácil se tudo fosse já no andar em que se chega, como na St. Pancras?? Placar inicial: St. Pancras 1 x 0 Gare du Nord.

Finalmente dentro de seu vagão, devidamente assentado, qual a surpresa? Um atraso de mais de 40 minutos para se rumar para Londres... Desorganização, descontrole na fila gigantesca que estava se formando para se passar pelas migrações, o ranso latino no french-way-of-life, ou tudo isso junto? Resposta: tudo isso junto, claro!

Impressionante foi ir de Londres para Bruxelas também via Eurostar. Além da perfeita organização em St. Pancras, facilidade de mobilidade e acesso, tranqüilidade de se passar pelas migrações, as portas do trem se fecharam exatamente às 08:58, horário programado para a partida do trem que, então, partiu!!! Isso é que é pontualidade efetivamente britânica! Portanto, dois pontos para Londres, um pela organização e outro pela pontualidade: St. Pancras 3 x 0 Gare du Nord.

Em um quesito, pelo menos, ambas quase empatam.

Bem... Pensando melhor, Paris perde de novo. Se você pretende ir de metrô até a Gare du Nord levando todas as suas malas, bolsas, casacos, mochilas, etc... (e no meu caso, eu tinha todos esses itens de primeira necessidade) prepare-se para aulinhas de musculação grátis e em plenas férias. Dependendo das estações em Paris, não há portão especial para entrada de volumes maiores (Londres sempre tem), não há elevador ou escada rolante (em Londres não ter escada rolante é raríssimo), fora o fedor que se sente no metrô (em Londres sente-se as últimas fragrâncias das grandes maisons). Ou seja, depois de carregar quilos e mais quilos, você acha que poderá respirar feliz e profundamente... Poder você até pode, mas não será muito agradável. Ah, claro, fora a sujeira dos metrôs em Paris... Quanto a Londres, seria covardia tirar seu ponto nesse quesito só por causa dos 5 degrausinhos que separam o setor de desembarque do Eurostar da parte do Underground na St. Pancras Station. Mas é que o cansaço já era tanto que qualquer "um" degrau parecia um calvário! St. Pancras 4 x 0 Gare du Nord.

Tudo isso fora a questão estética. Ok, ok! A velha e não tão bem cuidada Gare du Nord é em Paris, sim, mas St. Pancras cheirava a novo, com um projeto moderno e arrojado no jeito tradicional-londrino de ser. Placar final: St. Pancras 5 x 0 Gare du Nord.

Acho que não sou só eu quem prefere St. Pancras. Talvez até o própio Eurostar prefira Londres! Que os franceses fiquem com o fogo. E Deus salve a Rainha!

O que nos salva em uma viagem?

sábado, 27 de setembro de 2008 às 02:35
Band-Aid, dicionários, guias de viagem, cartões de crédito, moeda local, guarda-chuva, Aspirina C + Resfenol, um belo agasalho, e um tênis super confortável são elementos essenciais em uma viagem... Muitas vezes podem ser necessários ao mesmo tempo e já! Mas nada, absolutamente nada, ao longo de nossas viagens pelo mundo nos dá uma sensação de alívio e conexão intraplanetária como avistar os Golden Arches. Seja nas proximidades da Calle Florida, em BsAs, à beira do Tâmis e com vista para o Parlamento, em Londres, na histórica região da Bastilha, em Paris, ou mesmo nas cidadelas de Liechtenstein a caminho de sua capital, Vaduz, lá está nosso amigão de viagens: o velho e bom McDonald´s.

Afinal de contas, a existência de um McDonald´s por perto é muito mais que uma simples presença do capitalismo global à moda tipicamente americanóide do século XX. Tenho que confessar: é a garantia de que você pode fazer tudo, absolutamente tudo, que você está a fim sem se preocupar com horário, se está calor ou frio, chovendo ou com sol, que lá estarão os Arcos de braços abertos te esperando para saciar seus instintos gastronômicos.

Não que uma viagem completa não deva incluir a experimentação dos paladares locais... Nada disso! É indispensável ir a Bruxelas e comer os chocolates belgas, a Amsterdan e comer uma torta holandesa, a Paris e se deleitar em um restaurante francês super tradicional, a Londres e tomar um chá das 5... A questão é: se sua prioridade é conhecer inúmeros lugares e aproveitar ao máximo sua viagem, o McDonald´s é essencial pela funcionalidade, praticidade e padrão de qualidade.



Claro que nem preciso de dizer que os restaurantes da rede na Europa são infinitamente melhores que os das bandas de cá. E isso não implica necessariamente em um valor exorbitante; com exceção da Suíça, em que uma promoção simples do BigMac custa em torno de 12,00CHF, na Europa Continental, a mesma pedida fica com o valor próximo ao do Brasil, em torno de 5 a 6 euros, e na Inglaterra não passa de £5.

Valores à parte, sabores em alta! Para começar pela divina Deluxe Potatoes, na Inglaterra chamada de American Potatoes, que não só se distingue pelo corte diferenciado como igualmente por seus temperos e acompanhamentos. Ah, e tudo isso em substituição às velhas e conhecidas batatas-palito sem qualquer acréscimo no valor do pedido. As Deluxe Potatoes devem ser devoradas juntamente com o molho que com ela vem junto (o de lacre verde...). Esqueça, eu disse ESQUEÇA, os molhos Barbecue, Agridoce e Caipira (!) que o McDonald´s da esquina de sua casa lhe oferece (e cobrando por isso!). Simplesmente não tem comparação. Como também é covardia comparar não só a qualidade como também a quantidade de ketchup que vem nos sachets. Só para constar, na Inglaterra é da Heinz...

Mas a maior surpresa foi o Ciabatta Grande Pepper, descoberta em Zürich e que não se encontrava no resto desta viagem. Talvez pela influência italiana, esse sanduíche era algo de inexplicável: molho com um toque de pimenta do reino, em pão ciabatta...

Já na Bélgica, o McDonald´s estava em promoção. Ao fazer o pedido de um dos menus juntamente com uma sobremesa, ganhava-se um copo da Coca! E a cada semana o copo era de uma cor diferente... Como, na terra do chocolate, só passei 3 dias, de uma mesma semana, vieram 2 rosa!

A foto acima foi tirada na véspera do retorno ao Brasil (humpf!), na cidade meridional francesa de Avignon. Talvez porque já estivesse sentindo que, até do McDonald´s, eu iria sentir saudades...

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